terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cena pernambucana II

Os bons ventos para o jornalismo nordestino, mais especificamente para o feito em Pernambucano, foi tema de post aqui no blog no domingo. Hoje, o site que fala sobre a "cena pernambucana" é o da Abraji.

the NEW york times



Apesar da crise por que passa, o "The New York Times" permanece como arauto do desenvolimento do Jornalismo Online. Aproveitando o volume invulgar de sua produção multimídia, o jornalão resolveu criar um Portfólio de Inovações online. Quantidade e qualidade de matérias impressionam.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Jornalismo investigativo ganha reforço de organizações sem fins lucrativos

O blog Jornalismo nas Américas, do Knight Center, fala de uma matéria do jornal argentino La Nación aponta para um novo jeito de bancar reportagens que está salvando a pele do jornalismo investigativo, pelo menos nos Estados Unidos, em plena crise financeira nos grandes veículos de imprensa. São ONGs, fundações e outras organizações sem fins lucrativos que resolveram botar a mão no bolso e financiar a investigação jornalística que, atualmente, não pode ser paga por muitas empresas de comunicação. Veja mais sobre o assunto aqui.

No Brasil, um exemplo desse tipo de iniciativa é o Prêmio Tim Lopes de Investigação Jornalística, organizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) e que está com as inscrições abertas para sua quinta edição.

Com o objetivo de melhorar e incentivar a cobertura sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, a Andi não premia a matéria pronta: seleciona as melhores propostas de matérias sobre o assunto e fornece apoio técnico e financeiro para sua execução. Mesmo assim, os responsáveis pelo melhor projeto recebem mais uma premiação em dinheiro quando a matéria é veiculada.

Segundo a Andi, o projeto é uma homenagem ao jornalista Tim Lopes, da TV Globo, assassinado em 2002 por traficantes de drogas enquanto investigava casos de exploração sexual de adolescentes na favela Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio. Mais informações aqui.

Foha admite, mas não publica, que seus caminhões foram usados pelo DOI-Codi

A diretoria da Folha de S. Paulo admitiu a um leitor, por meio do seu ombudsman, que caminhões do jornal foram usados por equipes do DOI-Codi na ditadura militar. A resposta, que não foi publicada, foi dada após o leitor Renato Khair (que, por acaso, é procurador do Ministério Público Estadual de São Paulo) enviar email ao ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva indagando o seguinte:

"No ótimo documentário 'Cidadão Boilesen', de Chaim Litewski, há uma citação expressa de que o jornal 'Folha de São Paulo' teria colaborado diretamente com a Operação Bandeirantes (Oban), da ditadura militar. A 'Folha' teria cedido suas caminhonetes aos membros da Oban, na repressão aos opositores da ditadura. É uma acusação grave e séria. Até agora, não vi nenhuma resposta da 'Folha', negando veementemente qualquer tipo de participação ou de apoio ao regime militar. O mínimo que se espera é que o jornal se manifeste, seja para refutar ou para confirmar tais afirmações".

Veja a resposta que a diretoria deu, por meio do ombudsman:

"Caro Sr. Renato, durante o período ditatorial, a direção da Folha não foi informada da utilização de seus caminhões pelos órgãos de repressão. No entanto, investigações posteriores constataram que, de fato, alguns veículos do jornal foram usados por equipes do DOI-Codi. Esses atos foram praticados à revelia dos acionistas da empresa."

A informação saiu no blog do Jakobskind e já está sendo replicada pela internet.

Abraji tem nova diretoria

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) anunciou sua diretoria eleita para o próximo biênio:


Presidente:

Fernando Rodrigues (Folha de S.Paulo, UOL e rádio Jovem Pan, em Brasília)


Vice-presidente:

Marcelo Moreira (editor-chefe do RJTV segunda-edição, telejornal local da TV Globo, no Rio)


Diretores :

Alon Feuerwerker (Correio Braziliense, Blog do Alon e programa Jogo do Poder, na CNT)

Angelina Nunes (Editoria Rio do Globo)

Claudio Tognolli (professor da ECA-USP e da Unifiam-Faam, repórter das revistas Rolling Stone, Joyce Pascowitch e do site Consultor Jurídico)

Evandro Spinelli (Folha de S.Paulo)

Ivana Moreira (O Estado de S. Paulo, em Belo Horizonte)

Liège Albuquerque (O Estado de S.Paulo, em Manaus)

Marcelo Beraba (Estado de S. Paulo)

Mauri König (Gazeta do Povo, em Curitiba)

Plínio Bortolotti (O Povo, em Fortlaeza)


Conselho Fiscal:

Ana Estela de Sousa Pinto (Folha de S.Paulo)

Luciana Kraemer (professora do Centro Universitário Metodista IPA e da Universidade do Vale dos Sinos, São Leopoldo, RS)

Thiago Herdy (O Estado de Minas)

domingo, 13 de dezembro de 2009

O nordeste mostra sua cara (nas manchetes)

Na semana passada, foram anunciados os vencedores do Prêmio Esso de jornalismo 2009. Contrariando as expectativas das redações do eixo Rio-SP-BSB, os ganhadores do prêmio principal foram os jornalistas Fabiana Moraes e Schneider Carpeggiani, do "Jornal do Commercio", do Recife, com o trabalho "Os Sertões". Os repórteres percorreram 4.713 quilômetros de estradas, desde a Bahia até o Ceará, para mostrar aos leitores a realidade atual dos locais descritos por Euclides da Cunha em sua obra centenária, onde hoje "convivem vaqueiros e pirateadores, beatos e travestis, cantadoras de incelências e traficantes, padres e b-boys."

Na lista de emails da Abraji, Vandeck Santiago, repórter especial do "Diário de Pernambuco", argumentou que, apesar de ir de encontro à expectativa do sudeste, a vitória de veículos nordestinos não contrariou a história recente do jornalismo brasileiro. Especificamente sobre Pernambuco, Vandeck lembrou que, de 2004 pra cá, jornais daquele estado ganharam 14 prêmios nacionais (quatro Essos, cinco Embratel, três Vladimir Herzog e dois prêmios Caixa) e cinco internacionais.

De acordo com o Vandeck (ele próprio dono de um Esso, só que na categoria Regional), em Pernambuco há uma "uma 'cena jornalística' - da mesma forma que tivemos uma 'cena' na música, com a moçada do manguebeat, e no cinema, com novos cineastas". Ele já havia dito algo parecido em um artigo publicado no "Diário" em 2008.

Ele cita cinco motivos pouco óbvios para a consolidação dessa cena a partir de 2004:

1) os veículos de lá não sofreram o endividamento em dólar dos anos 90.

2) a imprensa do sudeste extinguiu suas sucursais no estado, "com duas consequências imediatas: profissionais que antes iriam trabalhar nas sucursais ficaram na imprensa local e têm agora pela frente uma gama imensa de assuntos para explorar com exclusividade".

3) "enquanto a grande imprensa reduziu ao máximo o espaço para a reportagem especial, aqui ocorreu fenômeno inverso. Dou um exemplo pessoal: passei cinco meses de dedicação exclusiva a uma única matéria, que resultou em um caderno especial de 16 páginas limpas (sem anúncio!), 'O plano de Kennedy para desenvolver o Nordeste'".

4) Como em Pernambuco não há um mercado editorial consistente, matérias que no Rio ou em São Paulo virariam livro-reportagem, lá acabam nos jornais como reportagens especiais.

5) Em Pernambuco há concorrência direta entre "Diário de Pernambuco" e "Jornal do Commércio".

5) "A vitória sobre os holandeses nos deixou com a (boa) mania de 'pensar o Nordeste'. Por isso, as matérias daqui costumam ter como foco o Nordeste inteiro, e não só Pernambuco, o que amplia o alcance e profundidade do material; o investimento dos jornais Diario e JC, dando tempo e espaço, permite que as reportagens tenham caráter autoral - são feitas por um ou dois repórteres no máximo".

Exemplos do bom jornalismo americano contemporâneo

Mark Horvit e Joe Bergantino citaram dezenas de exemplos do bom jornalismo investigativo americano feito atualmente. Abaixo estão listados os principais deles:

Novos centros de jornalismo investigativo:


Public Integrity - Site dedicado a reportagens sobre administração pública e transparência. Considerado por Bergantino e Horvit como o melhor meio independente de investigação dos EUA. Disponibiliza ainda pequenos tutoriais sobre como investigar setores do governo e pesquisar bancos de dados.


Voices of San Diego - Jornal online, também sem fins lucrativos, que cobre exclusivamente a região de San Diego (EUA).

Pro Publica - Grupo baseado em Nova Iorque (EUA) que produz matérias investigativas e oferece para veículos tradicionais. É um dos que mais utiliza o crowdsourcing.




Boas matérias investigativas que têm sido feitas por jornais tradicionais:

Promessas de guerra - Três repórteres do Washington Post visitaram, anoninamente e durante dois meses, soldados internados no hospital militar americano Walter Reed. O resultado foi uma poderosa matéria multimídia que revela as promessas feitas, a realidade da guerra e os dividendos dos combates no Iraque e no Afeganistão. A reportagem foi premiada com o Pulitzer de serviço público em 2008.

Importações americanas, mortes chinesas - A repórter Loretta Tofani, vencedora do Pulitzer pelo Post em 1983 e aposentada em 2001, recebeu verba do Pulitzer Center On Crisis Reporting e da Goldensohn Fund for International Reporting para visitar, durante um ano, 25 fábricas chinesas e denunciar as precárias condições trabalhistas na produção de produtos consumidos nos EUA. A série de reportagens foi publicada, como colaboração, no jornal Salt Lake Tribune.

Escândalo do SMS - O Detroit Free Press, atento à legislação que determina que até SMS enviado de celulares públicos podem ser requisitados por todo cidadão, revelou o adultério de um prefeito e um escândalo maior do que a infração do casamento.

Polígrafo de discursos políticos - O St. Petersburg Times ganhou este ano o Pulitzer de cobertura nacional com o site PolitiFact. Usando o humor nos comentários e nas ilustrações, a equipe do site cumpriu a tarefa de checar a veracidade de tudo o que os políticos disseram nos seus discursos. Até Obama ganhou um "obamômetro".

Consumo contaminante - O Journal Sentinel de Milwaukee, de porte médio, destacou dez repórteres para trabalharem, em tempo integral, em uma mega matéria sobre como os americanos estão sendo contaminados por produtos químicos que compõem o que consomem. O resultado foi completo e apavorante.






Pulmões educados à fumaça - O USA Today usou a metodologia da própria Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) americana para provar que uma parcela considerável dos estudantes estão respirando produtos prejudiciais à saúde no entorno de suas escolas. A apuração levou oito meses e analisou dados sobre 127.800 colégios.



Investigação na televisão americana:

Águas poluídas - O programa Frontline, classificado por Bergantino e Horvit como um dos poucos espaços para investigações profundas na tevê, fez uma contundente reportagem sobre a poluição das águas nos EUA.

Ônibus enguiçados - O Eyewitness News, um programa de tevê local, fez uma série de matérias avaliando o estado dos ônibus escolares em uma cidade americana. Exemplo de reportagem investigativa que é um serviço à população e ideal para ser feita por pequenos veículos.
Batidas policiais - O próprio Joe Bergantino foi o reporter que organizou, durante um ano, um banco de dados sobre a número enorme de acidentes de trânsito provocados pelos policiais que deveriam coibi-los. É um dos poucos exemplos da utilização das técnicas de Reportagem com Auxílio do Computador (RAC) na tevê.

Sem lucro, mas com lead

O futuro do jornalismo investigativo no país que mais investe em reportagens dessa categoria, os Estados Unidos, está nas mãos de organizações sem fins lucrativos que, com expressiva colaboração dos leitores, concentram seus esforços em matérias regionais - geralmente desprezadas pela mídia tradicional.

Esse horizonte foi traçado por Joe Bergantino e Mark Horvit (da foto ao lado) - diretores do Centro de Jornalismo Investigativo de New England (Necir, na sigla em inglês) e do Investigative Reporters and Editors (IRE), respectivamente - na palestra "As melhores técnicas de investigação nos Estados Unidos" do 4º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, há alguns meses em São Paulo. Na ocasião, eu os entrevistei.

Segundo os dois jornalistas, a crise financeira provocou o desemprego de cerca de 1.500 repórteres especializados em investigações. Outra pesquisa mostrou que 80% dos jornalistas do país trabalham em redações que reduziram suas equipes investigativas. De acordo com a American Journalism Review (AJR), desde a crise, o número de setoristas do Congresso caiu 32% (de 522 para 355). Portanto, para Bergantino e Horvit, universidades e novos veículos alternativos sem pretensões comerciais são os espaços mais promissores para um jornalismo mais elaborado. Um sintoma disso seria a criação de sete novos centros jornalísticos regionais por lá neste ano.

Algumas das principais características desses veículos são as seguintes:


Ajuda alheia - Esses centros contam, geralmente, com muita colaboração dos leitores. Esse fenômeno é conhecido como crowdsourcing. O Talking Point Memo (TPM), site alternativo de opinião e investigação jornalística, pediu, por exemplo, que os leitores participassem da leitura de um calhamaço de documentos do governo americano, tarefa que a equipe do site não conseguiria fazer em tempo hábil. Deu certo. A técnica também já é usada pela mídia tradicional. O jornalão inglês The Guardian fez algo parecido e teve sucesso reconhecido internacionalmente. Eles conseguiram que 56% dos visitantes do site fizessem a análise de 170.000 páginas de documentos sobre o recente escândalo político nas primeiras 80 horas. O único problema do uso indiscriminado desse recurso, de acordo com os palestrantes, é o risco de os leitores errarem. É preciso checar o trabalho de alguma forma.

Vendendo o peixe - É comum que as matérias produzidas por esses veículos seja oferecida a grandes jornais e redes de televisão. Bergantino e Horvit acreditam que essa é uma forma interessante de alcançar muitos leitores e chamar atenção e donativos para a iniciativa. Além disso, na crise financeira, os grande parte dos jornais está muito mais propensa a comprar um material já pronto do que investir em uma longa e incerta investigação própria. Afinal, segundo Bergantino, "tudo o que é bem feito pode ser replicado".

Tempo de apuração - Repórteres investigativos de veículos como esse são dividos em pequenas equipes e se debruçam durante meses em uma só matéria. Eles também seguem uma cobertura até o fim, não ficam restritos à agenda da mídia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Dicas para quem gosta de jornalismo investigativo e RAC

José Roberto de Toledo é, sem dúvida, um dos que mais sabe de jornalismo investigativo no Brasil e é referência em Reportagem com Auxílio do Computador (RAC). Seu blog sempre traz análises preciosas sobre o que tem saído por aí e costuma dar uma baita luz quando se trata de como lidar com números, gráficos e estatísticas. Saca só o que o cara já fez.


Por isso tudo, vale dar uma olhada em suas dicas de links e livros.
  

Prêmio Pulitzer abre espaço para trabalhos publicados na web

O sempre útil blog Jornalismo nas Américas, do Knight Center for Journalism in the Americas, informa que o prêmio Pulitzer, o principal de jornalismo nos EUA e um dos mais importantes do mundo, abrirá mais portas para candidaturas de artigos publicados na web.

Com isso, o que ganha importância é o conteúdo publicado, independentemente do veículo que o hospeda - um blog opinativo, um jornal exclusivamente online, colunistas que só atuam na web e por aí vai.

O comunicado oficial da organização do prêmio sobre esse assunto você encontra aqui, em inglês.

Dicas para cobertura em área de conflito

O site Media Helping Media faz jus ao nome ("Mídia ajudando Mídia", em tradução livre). A página contém uma parte dedicada exclusivamente ao treinamento de jornalistas repleta de orientações preciosas para profissionais novatos e experientes.

Para quem lê em inglês, o Media Helping Media é uma ótima fonte de consultas; porém, se você não manja nada da língua de Shakespeare, aproveite que o ótimo Novo em Folha fez um post sobre as dicas para coberturas em área de conflito publicadas lá no Media Helping Media em bom português. O original, aqui.

Veículos tradicionais apostam em cara nova na web

O que a agência de notícias Reuters, a CNN e o New York Times têm em comum? As três companhias são da velha guarda da mídia - basta ter começado antes da internet para fazer parte desse grupo - e investiram em dar um tapa no visual de seus sites.

A Reuters lançou seu novo site neste mês. Antes, em outubro, foi a vez da CNN - curiosamente, as duas contrataram a mesma empresa para implantar novidades em suas páginas na web.

O NYTimes, apesar de ter sido fundado em 1851, nunca fica atrás em matéria de tecnologia. A última do jornal foi lançar uma interface voltada para telas multitouch.

Tudo isso eu vi primeiro no blog do Tiago Dória.

Em quem os jornalistas confiam? Neles mesmos

Sim, os jornalistas acreditam em ONGs, na ONU e em si próprios bem mais do que no Governo, na Polícia ou em partidos políticos, por exemplo. É o que mostra uma pesquisa do projeto Worlds Of Journalism feita com 1.800 profissionais de 18 países, entre eles o Brasil, e que foi reproduzida no Webmanário.

Entre os coleguinhas brazucas, a ONU foi a instituição mais confiável, seguida pela própria mídia. Na outra ponta, os partidos políticos e os políticos em geral.